O exame de consciência é o primeiro dos cinco atos de uma boa confissão: antes de acusar os próprios pecados, é preciso reconhecê-los com sinceridade, à luz dos Mandamentos e do Evangelho. Este guia percorre os dez Mandamentos, um a um, com perguntas concretas para ajudar nesse reconhecimento — sem pressa, e sem medo do que se possa encontrar.
Antes de começar
Comece sempre pedindo luz a Deus — o próprio exame é, antes de tudo, uma oração. Uma fórmula simples e tradicional: "Senhor Deus onipotente, prostrado humildemente diante da vossa divina majestade, dai-me luz para conhecer os meus pecados." Percorra as perguntas abaixo com calma, sem se justificar e sem exagerar, e anote o que encontrar — o Contríto tem um exame guiado exatamente com essa estrutura, caso prefira fazê-lo direto no aplicativo.
1º Mandamento — Amarás a Deus sobre todas as coisas
- Rezo diariamente, ou deixo a oração de lado com facilidade?
- Já pus em dúvida alguma verdade da fé, ou critiquei ensinamentos da Igreja sem me informar de verdade?
- Já recorri a horóscopos, cartomantes ou práticas de espiritismo?
- Coloco o dinheiro, o conforto ou o trabalho acima de Deus, na prática, mesmo sem admitir isso?
2º Mandamento — Não tomarás o nome de Deus em vão
- Uso o nome de Deus ou dos santos sem respeito, ou blasfemo com facilidade?
- Já ridicularizei padres, religiosos ou pessoas de fé?
- Fiz alguma promessa a Deus que ainda não cumpri?
3º Mandamento — Lembrarás o dia do Senhor para santificá-lo
- Faltei à Missa aos domingos por culpa própria, ou assisti distraído, sem atenção real?
- Já comunguei consciente de um pecado grave ainda não confessado?
- Há quanto tempo não me confesso? (A Igreja pede, no mínimo, uma vez ao ano.)
4º Mandamento — Honrarás pai e mãe
- Trato meus pais, ou meus superiores, com o respeito devido?
- Dou bom exemplo religioso e familiar aos meus filhos, ou tenho negligenciado a formação espiritual deles?
- Coloco o trabalho de forma tão desordenada que sacrifico o tempo devido à família?
5º Mandamento — Não matarás
- Guardo rancor, ódio ou inimizade contra alguém, sem buscar o perdão?
- Fui violento em palavras ou ações — mesmo que "só" com gritos ou humilhações?
- Prejudico minha saúde, ou a de outros, com excessos, embriaguez ou imprudência?
6º e 9º Mandamentos — Não adulterarás / Não cobiçarás a mulher do próximo
- Consenti em pensamentos, desejos ou ações impuras, sozinho ou com outra pessoa?
- Recorro a conteúdo pornográfico com alguma frequência?
- Sou fiel, em pensamento e ação, ao meu estado de vida — casado, solteiro ou consagrado?
7º e 10º Mandamentos — Não furtarás / Não cobiçarás os bens do próximo
- Tomei ou usei algo que não é meu, ou deixei de restituir o que devo?
- Fui justo no trabalho — no que recebo, no que pago, no que entrego?
- Sinto inveja dos bens ou das conquistas alheias com frequência?
- Ajudo os necessitados dentro das minhas possibilidades reais?
8º Mandamento — Não levantarás falso testemunho contra o próximo
- Menti de forma a prejudicar alguém, ou minto com frequência sem dar muita importância a isso?
- Falei mal de alguém sem necessidade, ou participei de fofoca com gosto?
- Fiz julgamentos precipitados sobre a vida ou as intenções de outra pessoa?
Preceitos da Igreja
Além dos Mandamentos, vale examinar o cumprimento dos preceitos que a Igreja pede a todo católico: assistir à Missa aos domingos e dias santos de guarda, confessar-se ao menos uma vez ao ano, comungar ao menos na Páscoa, guardar os dias de jejum e abstinência determinados, e contribuir para as necessidades materiais da Igreja segundo as próprias possibilidades.
Depois do exame
Encontrar pecados não é o objetivo final do exame — é apenas o primeiro passo. Depois de reconhecê-los, desperte no coração a contrição: a dor sincera de ter ofendido a Deus, seguida do propósito firme de não repetir a falta. Se encontrou matéria grave, procure a confissão o quanto antes; se encontrou apenas faltas leves, não as menospreze — pequenas infidelidades repetidas também amolecem a alma com o tempo. Em qualquer caso, termine com um Ato de Contrição, confiando que, por maior que seja a culpa, a misericórdia de Deus é sempre maior.